10 fevereiro 2015

Fui enterrada viva pelo meu cunhado (história real traduzida)

Boa noite (ou boa tarde...enfim)!


O post de hoje será uma história que selecionei de uma revista francesa, a qual ando lendo bastante ultimamente. A revista se chama "Ça m'est arrivé" (Aconteceu comigo) e é repleta de pequenas histórias verídicas como essa que vou contar. 

Por aqui (na França), as pessoas não acreditam muito na veracidade dessas histórias, mas isso para mim é irrelevante: eu as leio justamente pela marca da oralidade que elas possuem (se tratam de narrações), o que me ajuda no meu aperfeiçoamento na língua francesa.

Ok, confesso que pra mim, elas são realmente interessantes. Eu amo histórias, não importa se são reais ou não. Ler pra mim é um momento de prazer. E se você compartilha desse sentimento, eu te convido a ler a minha tradução da história que segue...

             J'ai été énterrée vivante par mon beau-frère (Fui enterrada viva pelo meu cunhado)
                                           Tradução livre por Brunna A.C. Vivé



Eu sempre soube que havia algo de bizarro com o meu cunhado. Porém, eu não sabia explicar o porquê: era simplesmente uma intuição. Durante muitos anos, pensei que era eu quem devia ter um problema, visto que todos o achavam adorável e encantador. Finalmente, foi provado que eu tinha razão...

Entretanto, durante muito tempo, fui censurada por não ser calorosa o bastante com ele. Eu não podia fazer nada...sabia que ele era o irmão do meu marido, mas não conseguia me sentir à vontade com ele. Ele provocava em mim algo indefinível, um sentimento difuso, que eu não saberia colocar em palavras. Eu acho que simplesmente tinha medo dele. De uma forma confusa, sentia que este homem iria me fazer mal. Portanto, nada evidenciava o meu pressentimento. 

Desde de que o conheci, ele se mostrara sempre amável comigo, e parecia bem contente do seu irmão ter encontrado o amor. Já nessa época, eu o achava pouco presente em nossa vida - mas nesse momento, ele trabalhava e estava namorando, ou seja, estava bastante ocupado com outras coisas.

Quando eu e Pierre nos casamos, fizemos uma festança. Durante noite toda, o meu cunhado me perseguiu, repetindo o tempo todo que eu "poderia ficar contente, que havia conseguido roubar o seu irmão". Achei isso muito esquisito e assustador, mas Pierre me assegurou que não era nada: Christophe tinha apenas bebido um pouco mais e isso o fazia dizer coisas sem sentido. Ele me disse que no dia seguinte, o irmão nem iria lembrar disso. Efetivamente, foi o que aconteceu, pois ele sequer tocou mais no assunto. 

Entretanto, eu continuava com essa sensação bizarra quando Christophe estava por perto. Fazia de tudo para evitá-lo. Em contrapartida, ele não falava nada, mas era visível que ele não se sentia bem com o fato.  Na época, as coisas não estavam se passado bem no seu trabalho, e isso se estendia também ao seu relacionamento. Ele perdeu tudo de um dia para o outro: descobriu que sua namorada, para se consolar das constantes brigas do casal, teve um caso com o chefe dele. 

Acredito que isso tenha sido um golpe duro para ele: ele havia participado da fundação da empresa onde trabalhava, e era doido pela namorada. Na minha opinião, foi a partir daí que ele começou a pirar e achar que as mulheres eram culpadas de todos os males.

Meu marido achava que era piada, mas para mim, estava bem claro. Por mais que ele dissesse em tom de piada que as mulheres eram a encarnação do demo e que tinham sido enviadas à Terra para fazer sofrer os homens virtuosos, eu não me sentia nada à vontade com tudo isso. Crescia em mim a impressão de que ele me odiava, apesar de nunca ter feito nada contra ele. Pelo contrário, eu fazia todo o possível para ajudá-lo a superar essa má fase. 

Ele veio estão se instalar na nossa casa. Dois meses depois, ele ainda não tinha partido: passou à viver às nossas custas e não fazia nada o dia todo, além de assistir TV e chorar sua desgraça.
Falei sobre isso com o meu marido, dizendo que isso não era bom para o Christophe, que era preciso se reerguer, antes que ele caísse numa depressão. Meu marido se preocupava também, ao ver seu irmão cada vez mais apático, e por isso decidiu tomar uma atitude, sem deixar escolha para Christophe. E foi aí que "deu-se a melódia".

Aconteceu num dia de semana: meu marido estava dormindo, pois acordava cedo no dia seguinte, enquanto eu assistia qualquer coisa na TV, com intuito de relaxar um pouco do meu longo dia. Quando Christophe chegou em casa, senti logo que havia algo estranho. Tive vontade de correr e acordar meu marido. Era o que eu deveria ter feito, mas achei a idéia muito besta, então decidi continuar sentada no sofá. Ele veio em minha direção cambaleando: logo vi que ele tinha bebido demais.

Não sabia que, nessa noite, ele tinha se drogado, além de beber. Ele não estava mais em seu estado normal. Ele então me agarrou pelos braços, com um riso maléfico. Ele balbuciava umas palavras incompreensíveis, das quais só pude distinguir coisas como "mulher", "fuder a vida", "solução".

Foi então que comecei a ter realmente medo. Porém, eu ainda tive mais uma surpresa: ele me golpeou tão forte na cabeça que eu desmaiei na hora. Quando acordei, não entendi imediatamente onde estava. Só viu o céu escuro coberto de estrelas. Foi aí que senti terra caindo na minha cara. Horrorizada, notei que além de tudo, eu estava amarrada. Uma outra pá de terra caiu sobre mim, me deixando um pouco sufocada. Recuperei o fôlego e comecei a gritar feito louca. Felizmente, meu marido me ouviu e veio me socorrer. Meus gritos foram bastante agudos para chegar até o quarto, apesar de estarmos no fundo do jardim. Eu tive muita sorte.


                                                                        ~*~

Um comentário:

  1. Caraca, Brunna!!! Essa foi demais!!!
    Adorei!!! Vc sabe que eu adoro essas histórias, não é?!!! Rsrsrs!!
    Passa por aqui qualquer hora dessa, pra tomarmos um café!!! Rsrsrs!!!
    Saudades, filha!!!
    Bjos!!!

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